Rômulo Arantes Júnior é o novo membro do Hall da Fama da Natação brasileira

Grupo, agora, passa a ser chancelado pela CBDA

Foto: Reprodução
10/06/2020 0 24

(Rio de Janeiro, 10 de junho de 2020) Romulo Arantes Duncan Júnior é o nono membro para o Hall da Fama da Natação brasileira. O atleta, primeiro brasileiro campeão do NCAA, primeiro medalhista em Mundiais e primeiro ouro em Universíades, entrou para o seleto grupo de homenageados, que, agora, é chancelado pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos. A indicação aconteceu de forma virtual, nesta quarta-feira (10), por meio da TV CBDA.


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O anúncio veio de ninguém menos do que de Rogério Romero. Atleta mais olímpico da história da Natação brasileira elogiou a chancela da CBDA e contou um pouco da história de Romulo Arantes Duncan Júnior. 


“É um misto de alegria e tristeza. Hoje faz 20 anos da morte de Rômulo. Ele era um cara precoce. Foi às Olimpíadas com 15 anos. Um pioneiro. Acho que a palavra que podemos usar é essa. Foram inúmeras conquistas que ninguém havia tido até que ele tivesse. Um competidor nato. Ele tinha um talento natural e uma pessoa fantástica”, disse Romero. 


Um dos idealizadores do Hall da Fama da Natação Brasileira e atual diretor-executivo da CBDA, Renato Cordani, explicou o surgimento do Hall da Fama da Natação Brasileira e destacou a importância do reconhecimento dado aos nadadores históricos do Brasil. 


“O Hall da Fama da Natação Brasileira surgiu a partir da vontade de algumas pessoas que gostavam do Hall da Fama americano e pensou: Por que não fazer um do Brasil? A partir daí, começamos a desenvolver a ideia e homenagear grandes atletas e ídolos da Natação do Brasil”, explicou Cordani. 


Rômulo Arantes Duncan Júnior 


Rômulo Arantes Duncan Junior, filho de Rômulo Arantes Duncan, pai de Rômulo Arantes Neto, nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de junho de 1957, e morreu em um acidente de ultraleve, na pequena Maripá de Minas, em Minas Gerais, em 10 de junho de 2000, dois dias antes completar 43 anos. O atleta flamenguista, galã, vaidoso, ficou mais conhecido do público em geral pelo mundo das artes, atuando inclusive em novelas globais.


Antes disso, porém, foi nas piscinas que Rômulo ganhou destaque. Começou a nadar aos 8 anos, sob tutela do pai Rômulo Arantes. Aos 15, participava pela primeira vez de uma edição de Jogos Olímpicos, em Munique 1972. Terminou com recorde sul-americano nos 100m costas (1m01s87), com a quinta colocação no revezamento medley e nadou os 200m costas (2m18s15). 


Nos Jogos Pan-Americanos de 1975, Rômulo Arantes Junior saiu com três medalhas de bronze: 100m costas, revezamentos 4x100m medley e 4x200m livre. Ainda terminou em quarto nos 200m costas. O feito histórico, no entanto, veio no ano seguinte. No Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos de Berlim, Romulo nadou os 100m costas para 58s01 e conquistou a primeira medalha do Brasil em Mundiais. 


Foi recordista sul-americano dos 100m costas por mais de 19 anos, abaixando seu tempo por 13 vezes até chegar aos 57s20 – terceira marca do mundo em 1979. Também brilhou nos 200m costas, prova em que foi detentor do recorde sul-americano por quase cinco anos. 


"Eu vivi os anos 80 na piscina do Flamengo. A marca de 57s20 era sensacional, mas os técnicos sempre alertaram do jeito que ele nadava. Isso era sensacional. Além disso, eu, criança, via o Rômulo tendo a paciência de nadar com os infantis. Hoje, com 40 anos, vejo a importância disso", explicou o editor-chefe da SwimChannel, Patrick Winkler.


Rômulo encerrou sua carreira profissional em 1983, no Parque Aquático Julio Delamare, com uma homenagem da então Confederação Brasileira de Natação. Depois, seguiu sua carreira de ator e chegou a nadar e conquistar títulos na categoria máster.


Chancela da CBDA 


O Hall da Fama da Natação Brasileira existe há sete anos e já havia homenageado outros oito nadadores históricos do Brasil: Maria Lenk, Ricardo Prado, Jorge Fernandes, Jose Sylvio Fiolo, Manoel dos Santos, Djan Madruga, Piedade Coutinho e Tetsuo Okamoto. 


Agora, o projeto, que tem como objetivo homenagear e lembrar feitos de atletas brasileiros, ganha o reconhecimento da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos. 


“Este é um momento ímpar e importantíssimo para os esportes aquáticos. É mais do que merecido. Temos que fazer essa homenagem aos atletas que nos representaram tão bem dentro e fora do país. A nossa ideia é, além de chancelar, materializar isso. Colocar na Confederação um memorial com foto e histórico destes atletas que fizeram parte da história da Natação”, disse o presidente da CBDA, Luiz Fernando Coelho.